15 de jul de 2007

AS VAIAS NO PAN

Ensaio das vaias

As vaias na cerimônia de abertura dos XV Jogos Pan-Americanos foram a marca da falta de civilidade que os presentes ao Maracanã apresentaram, ao vivo, para a América e para o mundo. Uma vergonha! Não era o momento. O esporte poderia ter sido poupado daqueles “momentos Pan” – vaias para o presidente do Brasil, em três momentos, e vaias para os atletas dos Estados Unidos. Os cerca de 70/80 mil presentes no Maracanã, cariocas, paulistas, gaúchos, alagoanos, acreanos, enfim, brasileiros, em sua maioria, deveriam ter silenciado. A democracia conquistada, nos dá o direito da divergência, mas não nos dá o direito de sermos mal educados. Tenho dúvidas sobre a maturidade política desta manifestação no Maracanã. Entramos para a história: é a primeira vez que uma cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos não é aberta pelo chefe de Estado do país sede.

A platéia que impediu, na vaia oficial, o presidente do Brasil de fazer oficialmente a abertura do Pan, e vaiou os atletas da delegação estadunidense, é a mesma que apóia, com seus dólares, o governo imperialista do senhor George Bush! Sim! Pois muitos desta platéia passam pelo humilhante processo (ritual), de pedido de visto para ir gastar seus dólares, abaixo dos R$ 2,00, nas cidades de Nova Iorque, Orlando ou Miami, nos Estados Unidos.

Esta platéia é, também, a mesma que aplaudiu o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o senhor Carlos Arthur Nuzman! O "Ali Babá do Pan"! Este senhor contratou a senhora Mônica Conceição, sua cunhada, para ser a figurinista da equipe olímpica brasileira e criou a empresa CO-Rio, da qual é presidente, para organizar o Pan do Rio de Janeiro, pois o mesmo não é organizado pelo COB!

Esta platéia, também, foi e é complacente com o prefeito César Maia (DEM), e com o governador do Rio de Janeiro, o senhor Sergio Cabral (PMDB); beneficiados politicamente com os quase R$ 4 bilhões que possibilitaram a realização do Pan - um evento orçado em R$ 375 milhões que custou ao contribuinte brasileiro dez vezes mais. Sem falar no estado de sítio que vive o Rio de Janeiro; comandado pelos traficantes que têm o seu poder realimentado com a venda de droga para “os meninos do Rio”, muitos, filhos de boa parte desta mesma platéia que pede a intervenção do governo federal para colocar fim na violência reinante no Rio! Qual o critério?

A América e o mundo viram o "jeitinho brasileiro de ser", ou o "jeitinho de não ser brasileiro". Confesso: desliguei a tv. Passei uns 10 minutos pensando naquela cena. Pensei em tudo que li, tanto na mídia "chapa branca" como na "chapa de aluguel", sobre os esforços do governo federal em cobrir os gastos para não ser acusado pelo fracasso dos XV Jogos Pan-Americano do Rio de Janeiro; e não do Brasil, como disse o prefeito do Rio de Janeiro, o senhor César Maia (DEM). Pensei em todos os benefícios e beneficiados pelos jogos.

Estive no Rio de Janeiro no começo de julho e vi os muitos e modernos equipamentos urbanos que a cidade do Rio está ganhando. Se a maioria da platéia que estava no Maracanã era de cariocas, posso dizer que o carioca é, no mínimo, mal agradecido. Até votam no Lula (PT) - no 2º turno obteve 70% dos votos cariocas.

Mas o caso são as vaias e não os votos. Então, pensei no preço do ingresso! Foi ai que eu entendi a vaia no presidente e os aplausos ao Ali Babá: aquela platéia não ganha salário-mínimo! Boa parte daquela platéia paga salário-mínimo!

O Maracanã não é o Brasil. O Brasil não é o Haiti. O Pan é do Rio! Então: “Bem-vindo ao Congo!”. – frase, infeliz, do Gerente de Imprensa do Comitê Olímpico dos EUA, o jornalista Kevin Neuendorf, que está assistindo a delegação (vaiada), dos EUA ganhar medalhas de ouro pela tv, pois foi afastado do Pan antes mesmo do início por causa da receptiva frase que escreveu no quadro de avisos de uma sala no Riocentro. Bem feito. Quem mandou não estudar geografia! O correto é: “Bem-vindo ao Iraque!”.

Walter Chagas

2 comentários:

Blogueiro disse...

E o pior, é que os que vaiaram, além de ajudarem os suspeitos, canalhas a voltarem ao poder, serão os primeiros a se Ferrar.

Anônimo disse...

Não sei, as vaias são simplesmente a insatisfação de grande parte da população perante o governo federal. Existe coisa mais pífia do que a subsistância de Renan Calheiros, presidente do Senado, político oriundo de Alagoas, fez parte da base de apoio de Fernando Collor de Mello e atualmente apóia o presidente Luís Inácio Lula da Silva, ou seja, O PRESIDENTE. Este deveria tirar esse corrupto na base da porrada lá de Brasília. Pois Renan representa tudo o que historicamente o PT sempre LUTOU CONTRA, e agora são aliados ????

VAIAS SIM..........NMO